Barfly

28 de Novembro de 2004 Balcão sujo Dedos brincam nas marcas circulares Dos copos deixados vazios Pensamentos em pequeníssimas garrafas de cristal Tomam forma Ardem por dentro e não deixam respirar As palavras surgem desbotadas A visão dança Alegre companhia a minha Neste local deslocado Onde a vergonha é paga à saída E a memória não existe De copo em copo vejo a minha história ser apagada Até restar somente eu E as moscas que me bebem os restos Lá fora a noite vai estar apagada E os cães vão rosnar à minha passagem Pelo caminho há-de haver alguma luz Algum letreiro de néon que me guie Bar adentro mar adentro Num caminho sem recuo Num caminho sempre igual É o tilintar das moedas no balcão que me acorda Deste estupor desvairado Um amigo Mais um copo Enquanto não fecha.
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